“Nós criamos jogadores que chegam a ser eleitos melhores do Mundo e outros contratam-nos”, Afirmou Joan Laporta, presidente do Barcelona, em declarações à RAC1, no dia 12 deste mês, a propósito das contratações do arqui-rival Real Madrid, tendo como alvo, mais concretamente, Kaká eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 2007 e o Internacional Português Cristiano Ronaldo, eleito como o actual melhor jogador mundial.
Pessoalmente partilho da mesma opinião do presidente dos “blaugrana”, sem retirar a mais ínfima percentagem do valor futebolístico das contratações em questão, mas sim questionando acima de tudo os valores envolvidos. Em tempos de uma mais que badalada crise económica em que milhões passam verdadeiras dificuldades de subsistência, é praticamente ofensivo, um clube desportivo que publicamente assume um passivo de 500milhões de euros, adquirir dois atletas pela astronómica quantia de 159 milhões de euros e ao que tudo indica não se vão ficar por aqui. Podem defender a ideia de que telas de Picasso ou Van Gogh acartam valores superiores, ou até que outras modalidades no mundo desportivo suportam atletas com custos também superiores. São tentativas de justificar o injustificável, para além do ponto de vista económico-social já referido anteriormente, em termos desportivos não me parece também o mais indicado. Reparem, quem poderá trazer maiores benefícios económicos e desportivos, kaká e Cristiano Ronaldo ou Iniesta e Xavi? A 1ª dupla custou 159milhões de euros mais os respectivos salários que vão usufruir, a 2ªa dupla é produto da cantera logo não foram necessários custos para adquirir os seus passes e a nível desportivo toda gente se recorda como terminou o tempo dos galácticos nos tempos do 1º mandato de Florentino Perez para os lados do Barnabeu, por outro lado nesta época transacta ficaram à vista os resultados da politica de formação seguida pelo Barcelona.
A venda de camisolas já rendeu e certamente irá render grandes quantias de dinheiro para os cofres do clube Madrileno que poderá inclusive cobrir todas estas despesas em termos de contratações, no entanto não há dinheiro que cubra o amor à camisola, a entrega que esses atletas lhe oferecem e a admiração que despertam nos seus adeptos.

O futebol é cada vez mais uma indústria que movimenta excessivo capital mas será sempre um jogo de paixão e carrego a certeza que se perguntarem à grande maioria dos sócios e demais simpatizantes do Real Madrid, “qual terá sido o jogador mais marcante dos últimos dez anos?”, no meio de todos os nomes galácticos que tanto dinheiro movimentaram, aquele que mais se iria destacar, seria certamente: Raul.

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