domingo, 1 de março de 2009

Os verdadeiros clássicos



É o que se espera de um clássico. Qualidade, emoção a todo e qualquer minuto e golos…grandes golos! Nada disso se viu ontem no Estádio do Dragão onde estiveram duas equipas com medo. E se até se compreende o medo que um Sporting acabado de ser humilhado pelo Bayern de Munique e que visita o estádio do líder do campeonato, não é tão fácil fazer o mesmo exercício de raciocínio quando falamos do próprio líder que joga no seu reduto e que até vem de uma moralizadora exibição em Madrid – mais moralizadora que o próprio resultado –. Esperava-se um FC Porto explosivo e arrebatador para tentar aproveitar e explorar as debilidades – principalmente psíquicas – dos leões. Mas não. Muita luta, muitas quezílias, e pouco futebol. Aliás, parece que só no final do jogo e no «flash-interview» é que todos se lembraram que faltou o espectáculo.
Por outro lado, em Madrid e Milão viram-se os verdadeiros clássicos.



Em Madrid, jogo sempre imprevisível, com as linhas ofensivas a superarem-se, quase sempre, às linhas defensivas e golos. Muitos golos, sete no total, e de grande qualidade. É isso que o mais comum adepto de futebol gosta e é por isso que o Campeonato Espanhol tem maior qualidade. Não que o futebol português não tenha essa mesma qualidade mas o medo esconde-a na maior parte das vezes.
Viu-se o Atlético de Madrid que foi goleado e humilhado na primeira volta em pleno Camp Nou (6-1) a anular Xavi, o estratega do Barca que passou completamente ao lado do jogo. Mais difícil foi fazer o mesmo ao tridente atacante formado por Samuel Etoo, Lionel Messi e Thierry Henry. Também outra coisa não seria de esperar até porque, para além da qualidade dos avançados do Barcelona, o Atlético de Madrid tem na sua defesa a sua principal debilidade.
Mas, apesar do potencial do Barca e das fraquezas do Atlético – que ainda assim tem também um excelente ataque –, as duas equipas apresentaram-se sem medo e privilegiaram o espectáculo.



Em Milão outro clássico, o Inter–Roma e também ele diferente dos dois anteriores. Na primeira parte jogou uma Roma bastante forte, capaz de surpreender José Mourinho e tudo parecia encaminhado para a vitória. No entanto, mais uma vez Mourinho mexeu bem com o balneário e fez as alterações certas – com excepção da entrada de Figo que se mostrou bastante em baixo com pouca intervenção e muitos passes falhados –. Na segunda parte só se viu o Inter a dominar e o Roma rebaixado, mas ainda capaz de marcar o seu terceiro golo. O destaque também para Mario Balotelli, que, a par de Stanton, é a grande promessa do Inter de Milão. O jovem avançado que tem sido elogiado e criticado sucessivamente por José Mourinho pelo enorme potencial e pela falta de atitude, respectivamente, foi decisivo neste encontro. Dois golos, o segundo de penaltie que o próprio conquistou, e ainda poderia ter marcado mais um de pontapé de bicicleta.
Em suma, neste fim-de-semana tivemos dois clássicos pelo preço de três, mas no final ainda valeu a pena.