

Abraço,
HF.


Abraço,
HF.
Com um plantel acima da média para a Liga Vitalis, o Gil Vicente não fez mais do que uma época banal, na temporada que agora terminou. Durante o campeonato, António Fiúza consegui ainda despedir o Professor Neca – que vinha a fazer um bom trabalho e um bom campeonato – e assegurou a contratação de João Eusébio. Não era difícil de se prever que o treinador que começou a temporada no Rio Ave também não tinha a capacidade para gerir aquele plantel e isso viu-se na justiça do final da temporada.
Agora, com tempo para planear a próxima temporada da melhor forma possível, António Fiúza opta por Rui Quintas. Nada tenho contra o treinador que veio do Penafiel mas também passou pelo Paredes e pelos Aliados do Lordelo, mas temo ser novamente um treinador sem dimensão para o projecto do Gil Vicente. O futuro pode-me contradizer, mas não me parece…
Para além disso, a formação de Barcelos parece incorrer noutro erro, o da reformulação do plantel quase na sua totalidade. Compreende-se e impõem-se os ajustes necessários pelas possíveis saídas de alguns elementos, mas tirando isso não me parece necessários grandes ajustamentos. É necessário isso sim cuidado na hora de comprar…ou mesmo na hora de pedir jogadores emprestados.
Vejam-se os casos de Ivanildo e Zéquinha. O extremo é constantemente emprestado e em nenhum dos clubes por onde tem passado se tem imposto. Algo falha e pelos vistos não serão sempre os clubes e os treinadores. Já o Zéquinha é o caso de excesso de rebeldia. O jovem internacional português parece ter um Paul Gascoigne na barriga e todas as semanas está envolvido numa nova polémica. Não é preciso ser-se um génio para se perceber que elementos como o Zéquinha não fazem muito bem a um grupo de trabalho.
No entanto, jogadores como Hugo Monteiro, Pedro Ribeiro ou Diego Gaúcho são grandes mais valias deste plantel e são jogadores que António Fiúza terá dificuldades em manter por Barcelos…
A selecção Portuguesa venceu ontem por 1-2 a Albânia, em Tirana com condições mais do que adversas. Para além do ambiente infernal que os mais de 20mil adeptos Albaneses fizeram questão de conceber, as condições apresentadas pelo estádio Quemal Stafa eram mais do que precárias. Havia uma baliza torta com o poste esquerdo inclinado para a direita, o recinto não possui sala de imprensa, o relvado era razoável, a segurança foi uma lástima (no aquecimento houve espectadores que saíram das bancadas para tirar fotos com jogadores portugueses), a área técnica dos bancos foi delimitada com fita-cola e as condições do balneário deviam ser tão deploráveis que a os atletas da selecção das quinas optaram tomar banho no hotel. Somando tudo isto interrogo-me como é que é possível que ocorram jogos internacionais nestas condições, ou falta delas?
Ontem o golo de Bruno Alves, já em tempos de descontos, veio permitir que a Selecção se mantenha na luta pelo bilhete de ida à África do Sul. É curioso observar o quanto as opiniões e as expectativas em volta do futebol se alteram. Recuemos ao apuramento para o Euro-08 em que o anterior Seleccionador Scolari (o mesmo que nos colocou no final do Euro-04 e nas meias-finais do Mundial-06) seria responsável por o apuramento directo para a fase final a decorrer na Suíça, sem no entanto ser encostado à parede pelas suas opções e pela qualidade do futebol praticado pela Selecção Lusa. Nessa mesma competição fomos eliminados pela Alemanha nos quartos de final, como seria de esperar a decepção foi geral em torno dos portugueses e de uma forma praticamente unânime choveram criticas em torno de Scolari e das suas decisões, esquecendo todos os êxitos anteriores que o mesmo conquistou ao leme da equipa de todos nós. Neste passado recente, as exigências eram elevadíssimas, consequência das expectativas que cada um de nós carregava em relação ao valor do nosso futebol.
Passados apenas dois anos, Portugal não marcava um golo em competições oficiais desde Setembro de 2008 (2-3 com a Dinamarca) e já decorriam nove meses desde a última vitória (0-4 com a Malta). Venceu ontem apesar da exibição paupérrima contra um adversário teoricamente acessível e de o golo da vitória ter sido conseguido em tempos de desconto, no entanto damos por nós a suspirar de alívio por termos ganho este jogo, que no passado recente à pouco referido, tinham sido favas contadas.
Não pretendo com isto criticar Carlos Queiroz ou enaltecer Luiz Felipe Scolari, apenas acho curioso observar o quão rápido as expectativas se alteram. Num passado recente somos bestiais e as expectativas são as maiores. Hoje as expectativas são minúsculas e vencer a Albânia nas condições em que foram conquistadas são motivo de festejo.
Apesar de tudo espero que este resultado positivo seja o primeiro de muitos nesta nova fase e que para bem do nosso futebol a Selecção alcance o tão desejado apuramento. Força Portugal e Força Prof. Carlos Queiroz.
Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, 24 anos, eleito como o melhor jogador a nível mundial, celebrou ontem em Old Trafford, o seu terceiro título consecutivo pelo Manchester United. Muitos são os que afirmam que esta época o internacional português tem estado aquém das expectativas, no entanto os números falam por si. Venceu a Supertaça de Inglaterra, o Campeonato Mundial de Clubes, a Taça da Liga, a Premiership, dia 27 de Maio em Roma vai disputar, frente ao poderoso Barcelona, a final da Liga dos Campeões e pelo segundo ano consecutivo pode-se sagrar como o melhor marcador no Campeonato Inglês, tendo marcado 18 golos, mais um do que o francês Anelka. Além do mais, Cristiano Ronaldo surge sempre nos momentos decisivos, marcou na 2.ª mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões frente ao Inter de José Mourinho, decidiu o jogo no dragão, nos quartos de final frente ao Futebol Clube do Porto e ainda bisou na 2.ª mão da meia-final frente ao Arsenal.
Goste-se ou não, Cristiano Ronaldo não é detentor de um pé esquerdo semelhante ao de Messi, que espalha magia sem demonstrar o mínimo esforço; não marca livres tão espectaculares como os de Juninho Pernambucano; nem possui o jogo aéreo de Luca Toni. No entanto exibe enorme habilidade ambidextra capaz de levantar estádios, remata também com ambos os pés, é um brilhante marcador de bolas paradas e possui um jogo aéreo invejável (especialmente para um extremo). Com o seu 1.85 cm e 75 kg demonstra muito provavelmente o físico ideal para a posição que ocupa, é velocíssimo, tem uma elevação fantástica (quem não se recorda do golo marcado à Roma na época passada?!), pouca pré-disposição a lesões e um porte muscular que lhe oferecem todas as características anteriores e ainda lhe permite enorme resistência ao choque. Podemos encontrar vários jogadores com características individuais isoladas, superiores às de Cristiano Ronaldo mas a sua grande vantagem é o todo, é o facto de actualmente ser o jogador mais completo que existe, não só devido ao seu talento inato mas sobretudo devido ao trabalho diário que ao longo da sua curta carreira lhe permite atingir o nível que exibe nos relvados. Parabéns Ronaldo.

Por Pedro Santos

Sendo o Belenenses um clube de forte tradição no futebol Português, considerado, em tempos, como o 4.º grande, detentor de um palmarés invejável onde se inclui: um Campeonato Nacional e três taças de Portugal. Emblema histórico onde se distinguiram nomes como o saudoso Matateu, o Vicente ou até o Pietra que mais tarde se mudou para os ares da Luz, torna-se deplorável para qualquer amante do desporto Rei, assistir ao seu actual estado.
Vítimas de anos acumulados de má gestão com orçamentos consumados em cima do joelho, com números irrealistas para uma realidade financeira demasiado curta. Uma direcção desorganizada e com deficiências em todas as suas áreas desportivas, recrutamentos realizados por dvd’s com os melhores momentos de jogadores sul-americanos de qualidade (se é que se poderá empregar tal palavra) mais do que duvidosa, ou melhor dizendo, ninguém encerra a mais pequena duvida que estes não possuem qualquer tipo de qualidade, tendo como conseguinte maus resultados desportivos, meses de ordenados em atraso, desapontamento geral da massa associativa, imperando cada vez mais o vazio das bancadas. E assim vai o Belenenses nos dias que correm!
Infelizmente não é caso único no nosso futebol, e observando um passado recente, temos o exemplo do também histórico Boavista, que continua a cair em queda livre, o popular Salgueiros que actualmente se intitula como Salgueiros 08 e enche bancadas na divisão distrital. Mas vários são os exemplos. Quem não se recorda do Farense? Campomaiorense? Alverca? Tudo casos palpáveis da mentalidade medíocre dos dirigentes portugueses. Torna-se urgente assumir orçamentos congruentes com a realidade e possibilidades dos clubes, reforçando-se com atletas de preço e salário apropriado. E para quando uma aposta real nas formações? No caso concreto do Belenenses, temos jogadores como o Rolando, Ruben Amorim e até o Mano, tudo atletas da formação, com valor inquestionável, que vieram acrescentar algo ao clube, não foram adquiridos por valores irreais nem usufruíram de salários elevados, que no final de tudo ainda permitiram algum encaixe financeiro e com toda a certeza que sentiram mais a camisola do que qualquer outro jogador estrangeiro e não querendo com isto ser xenófobo.
Ventos de mudança se aproximam, Viana de Carvalho foi eleito como o novo presidente para o emblema de Belém e com ele esperamos que surja também uma nova mentalidade que ajude a equilibrar e a colocar o clube na posição que a sua história exige.